sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Paz e Desmilitarização

Os conflitos não são todos do mesmo tipo: há conflitos coloniais como o caso de
Inglaterra na Índia, na África de Leste, no Médio Oriente, etc; ou a França na Argélia ou
na África Ocidental, entre outros. Há também conflitos de agressão como a Alemanha
contra a Bélgica, a França e outros em 1939; há conflitos de ocupação como o de Israel
contra a Palestina; conflitos de fundamentalismo religioso entre diferentes confissões
ou entre diferentes correntes no seio de uma mesma confissão, e ainda conflitos
orquestrados por ditadores contra a sua população como o caso de Batista em Cuba,
Pinochet no Chile ou Marcos nas Filipinas, etc.

Muitos conflitos são apresentados ao mundo exterior como conflitos étnicos entre
tribos ou grupos dentro de um mesmo país ou região, enquanto os verdadeiros motivos
económicos permanecem ocultos. Na verdade, muitos conflitos são lucrativos, são
conflitos económicos provocados para controlar recursos naturais (petróleo no Iraque,
coltan para telemóveis na Região dos Grandes Lagos Africanos, etc) e as riquezas que
estes prometem, além de estimularem a indústria armamentista, as milícias privadas e a
indústria local de segurança.

A lista de conflitos armados é imensa, mas diferenciam-se entre si pois alguns têm
uma ampla cobertura mediática*. O Afeganistão, a Colômbia, Darfur, a região dos
Grandes Lagos, o Iraque, a Palestina - enquanto outros permanecem esquecidos: o País
Basco, República Central Africana, Chade, Chipre, Haiti, o México, Uganda… Também
devemos ter em conta os países que estão envolvidos “à distância” nos conflitos, devido
aos seus interesses comerciais e da venda de armas, como a Inglaterra, a China, a
França e os Estados Unidos, etc.

Guerra, conflitos e militarização são expressões da violência tornada natural pelos
sistemas capitalista e patriarcal e os meios utilizados por estes para manterem o seu
domínio**. Mais do que isso, a militarização reflecte a divisão dos papéis no patriarcado: o
conceito de masculinidade é associado à violência e às armas, o que leva à ideia de que
as mulheres necessitam de proteção dos homens e das armas. É a instituição militar que contribui, de diferentes formas, para formar jovens homens com o objectivo de que ocupem o lugar dominante na sociedade, na hierarquia de relações sociais entre os sexos. O exército pode ser considerado como uma das organizações patriarcais mais importantes de qualquer sociedade e uma das mais reveladoras da desigualdade que caracteriza as relações homens-mulheres: hierarquização do poder, culto do chefe e seu domínio, obediência, violência física, ausência de espírito crítico, um círculo fechado dos “rapazes”, etc. Este modelo de
masculinidade associado à força e agressividade é uma referência crescente para os
jovens somando-se muitas vezes ao racismo na formação de gangs.
Nos sistemas capitalista e patriarcal, as elites económicas actuam junto do Estado
de diferentes maneiras colocando os governos ao seu serviço para manter o controlo dos
povos e das mulheres. O aumento da repressão, o reforço das forças policiais e a
adopção de políticas de tolerância zero, que alimentam ainda mais o ciclo da violência
são instrumentos para manter essas relações, utilizando-se ainda a criminalização dos
que vivem na pobreza ou que lutam contra ela, como as migrantes e os movimentos
sociais. Este controlo é também mantido através ou da provocação de conflitos ou da
indiferença face a conflitos motivados pela delimitação de territórios, por uns poucos
empregos ou por uns poucos recursos públicos.

O corpo das mulheres: um campo de batalha para os soldados
As mulheres sempre sofreram os males da guerra, psicologicamente, socialmente,
física e economicamente. Assim, desde a antiguidade até ao presente, a violação massiva
de mulheres é parte integral da guerra. As mulheres e os seus corpos foram considerados
ora como despojo de guerra, ora como moeda de troca. São vistas como o repouso do
guerreiro, o seu corpo identificado como solo inimigo e, por isso, um campo de batalha. A
luta dá-se pelo controlo dos corpos das mulheres vistas como um recurso igual a qualquer
outro e por isso um motivo legítimo para o conflito. Em todos estes casos as mulheres são
rebaixadas à categoria de objecto e percebidas como propriedade dos homens.
A violação é utilizada para humilhar, desonrar e desmoralizar o inimigo. É tratada
como um meio de propaganda militar ou, como ocorreu mais recentemente na Bósnia-
Herzegovina, como política de purificação e limpeza étnica. No Ruanda, foi
instrumentalizado como acto de genocídio, no Haiti como instrumento de terror político,ou
ainda como símbolo de vitória. As consequências desta brutalidade não se limitam aos
aspectos físicos - contágio de doenças sexualmente transmissíveis, uma possível
gravidez, rasgos, fístulas- mas também aos aspectos psicológicos - depressão, perda de
auto-estima, culpabilização, etc. Uma mulher violada e a/o filha/o fruto da violação são
frequentemente isoladas e marginalizadas pela sua comunidade e rejeitadas pelo seu
marido e família, carregando a culpa pela extrema violência que sofreu. Para muitas
mulheres as únicas opções são o silêncio ou a rejeição, com todas as consequências
socioeconómicas que isto acarreta.
* Mesmo que a cobertura mediática seja geralmente tendenciosa e de pouca qualidade.
** Há uma percepção comum que a militarização no mundo se acentua na medida em que as despesas militares mundiais tiveram um crescimento real de 45% nos últimos dez anos. A tendência de expansão continua: entre 2006 e 2007, o aumento médio dos orçamentos militares nacionais foi de 6%. Em 2005, os Estados Unidos mantinham 737 bases militares activas em outros países com um contingente de 2 500 000 pessoas (soldados, etc.). Em 2007, as despesas militares dos Estados Unidos da América representaram 45% da despesa mundial na área da defesa. Um outro fenómeno recente é o aumento considerável do número de mercenários privados: de um total de 330 000 soldados, que estavam no Iraque em 2007, 180 000 mil são membros de empresas de segurança privada.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Reclamemos os Campos!!

Divulgamos... sem recurso a tradução! ;)

Coordinadora Europea Vía Campesina
Reclamemos los Campos
Campamento Europeo para Cultivar Alternativas
,
30 de Septiembre- 4 de Octubre 2009, en Minerve (Francia)


Nosotros, jóvenes de la Coordinación Europea de la Vía Campesina estamos organizando un campamento Europeo para juntar a jóvenes que quieran establecerse en el campo, quienes ya sean jóvenes campesinos o campesinas, campesinos y campesinas sin tierra y/o quienes quieran recuperar la soberanía alimentaria.


La crisis global en la agricultura, el clima, la energía, la biodiversidad y en la sociedad en general está teniendo un impacto tremendo sobre miles de millones de vidas. Esta crisis está estrechamente relacionada con el reemplazo de la pequeña agricultura por formas industriales de producción y consumo. Tal y como muchos miles de millones han sido dado a los bancos durante el año pasado, el apoyo de los gobiernos para políticas neoliberales continúan aniquilando la pequeña agricultura y a los y las campesinas en todo el mundo. Estas políticas destruyen las formas de vivir que han demostrado un enlace harmonioso entre seres humanos y su medio ambiente. En Europa estas fuerzas están llevando a la pequeña agricultura y a los y las campesinas al borde de la extinción, haciendo difícil que el campesinado sobreviva y que jóvenes puedan empezar a trabajar la tierra como campesinos y campesinas.


Queremos ser campesinos y campesinas para volver a controlar nuestras vidas y practicar nuestros valores. Cultivando, demostramos nuestro compromiso con nuestra tierra, nuestro medio ambiente y con la gente—sea en nuestro barrio o en otros países lejanos, con los que compartimos la vida en este planeta. De esta forma estamos ayudando a asegurar un futuro para las próximas generaciones. Podemos poner final a este proceso devastador si reforzamos la posición de jóvenes campesinos y campesinas, relocalizando la economía y siendo creativos para crear un campo Europeo fuerte y sustentable. ¡El futuro de Europa sólo es posible si hay muchos y nuevos jóvenes campesinos y campesinas!


Hay muchas luchas que tenemos que fortalecer: el acceso a la tierra, precios justos en la agricultura, el reconocimiento social de los y las campesinas, políticas agrícolas justas, y las luchas contra la dominación del modelo de agricultura industrial. Queremos juntarnos para fortalecernos y hacer posible que los que quieran ser campesinos puedan serlo.


El campamento está abierto a jóvenes campesinos y todos aquellos interesados a serlo. Están muy bienvenidos a venir e intercambiar sus experiencias e inspirarse por las de los demás. Habrá una variedad grande de talleres prácticos, políticos y teóricos sobre el acceso a la tierra, hortalizas urbanas, políticas agrícolas, agroecología, alianzas entre consumidores y productores y más. ¡También pueden contribuir con un tema para su propio taller! Por favor comuníquenos el tema si tienen una propuesta de taller, llenando el sitio web y enviándonoslo antes del 15 de septiembre.


El campamento tendrá lugar en una granja colectiva en el sur de Francia. Será organizado con la ayuda de todos los y las que participen. Habrá una asamblea diaria para organizar la vida en la comunidad del campamento—desde la cocina colectiva y la limpieza hasta la organización de actividades y noticias. Les pediremos una pequeña contribución para las comidas y el alojamiento.


Para más información por favor visiten nuestra página web: www.reclaimthefields.orgSi quieren más información o quieren involucrarse más, por favor contáctenos: camp2009@reclaimthefields

Violência(s) contra as Mulheres

A violência contra as mulheres é estrutural e inerente aos sistemas patriarcal e
capitalista. É usada como uma ferramenta de controlo da vida, corpo e sexualidade das
mulheres por homens, grupos de homens, instituições patriarcais e Estados. Apesar de
afectar as mulheres como grupo social, cada violência tem um contexto específico e
temos que compreender como, quando e porque ocorre a violência contra as mulheres.
A ideia generalizada sobre a violência contra as mulheres é que se trata de uma
situação extrema ou localizada, envolvendo pessoas individualmente. Mas ela toca-nos a
todas, pois todas já tivemos medo, mudámos o nosso comportamento, limitámos as
nossas opções perante a ameaça da violência. Outra ideia comum é que a violência
contra as mulheres é apenas um problema das classes baixas e das culturas “bárbaras”,
no entanto, sabemos que é transversal e existente em todas as classes sociais, diferentes
culturas, religiões e situações geopolíticas.


Apesar de ser mais comum na esfera privada, como violência doméstica - seja esta
sexual, física, psicológica ou abuso sexual – a violência contra as mulheres e meninas
ocorre também na esfera pública, que entre outros inclui: femicídio, assédio sexual e
físico no lugar de trabalho, diferentes estupros, mercantilização do corpo das mulheres,
tráfico de mulheres e meninas, prostituição, pornografia, escravidão, esterilização forçada,
lesbofobia, negação do aborto seguro e das opções reprodutivas e autodeterminação, etc.
O silêncio, a discriminação, a impunidade, a dependência das mulheres em relação aos
homens e as justificações teóricas e psicológicas toleram e agravam a violência contra as
mulheres.

A violência, a ameaça ou o medo da violência são utilizados para a exclusão das
mulheres do espaço público. As mulheres pagam com as suas vidas por trabalhar na
esfera pública em vez de ficarem em casa, como impõe a cultura patriarcal, e ir à escola
ou à universidade, “atrever-se” a viver a sua sexualidade abertamente ou por prostituir-se
como falta de opção. Num contexto de criminalização dos movimentos sociais e de
protesto, a repressão de mulheres activistas envolvidas na luta, muitas vezes, toma a
forma de violência sexual. Além disso, a discriminação contra as mulheres é composta
pela intersecção de diferentes formas de opressão: elas são discriminadas por ser
mulheres, e também pela sua cor de pele, língua, raça, etnia, classe social, situação
financeira, religião, sexualidade...

A raíz da violência contra as mulheres está no sistema patriarcal e no capitalismo,
que impõem uma necessidade de controlo, apropriação e exploração do corpo, vida e
sexualidade das mulheres. O patriarcado funciona através de dois princípios: a noção de
que as mulheres são propriedade dos homens, por isso sempre disponíveis para eles, e a
divisão das mulheres em duas categorias: “santas” e “putas”. Como parte desse sistema,
a violência é a punição para aquelas que não se enquadram no papel da “santa”: boa mãe
e esposa. Por exemplo, é comum que os homens justifiquem que agrediram, verbal ou
fisicamente, a suas esposas porque a comida não estava pronta ou porque a roupa que
queriam vestir não estava limpa. Também é um castigo para aquelas que são
consideradas “putas”: os agressores e a sociedade justificam a agressão dizendo que a
mulher estava na rua sozinha de noite, ou porque são lésbicas e devem ser ensinadas a
ser heterossexuais, ou porque a roupa que estavam a usar não era decente.

[o resto do texto pode ser lido aqui: http://www.umarfeminismos.org/marchamundialmulheres/documentos/violencia_contra_as_mulheres_pt_final.pdf]

As Acções de 2010!

Em 2010 as acções da MMM, em Portugal e no mundo, centrar-se-ão em torno de 4 grandes temas: Violência(s) contra as Mulheres; Paz e Desmilitarização; Bem Comum e Trabalho das Mulheres.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Reunião da Coordenação Europeia da MMM

É já em Outubro (23,24 e 25), em Salónica, que a Coordenação Europeia da MMM vai reunir!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Eco-activista e feminista Starhawk visita Portugal em Agosto...

Divulgamos...


A eco-activista e feminista Starhawk visita Portugal em Agosto: tem encontros em Lisboa (no dia 7 de Agosto) e na eco-aldeia de Tamera (no Alentejo)


Sessão-encontro com STARHAWK
7 de Agosto, 18.00 - 20.30
no Centro Social do GAIA
(na Travessa da Nazaré 21, à Mouraria, Lisboa)



"Because I believe the earth is a living being, because we are all part of that life, because every human being embodies the Goddess, because I have a fierce, passionate love for redwoods and ravens, because clear running water is sacred, I'm an activist. And because the two hundred richest people in the world own as much wealth as the poorest forty percent, because every ecosystem, traditional culture, old growth forest and life support system on the planet is under assault, and because the institutions perpetuating this unjust system are global, I'm kept very busy!”
Starhawk

«Since the anti-WTO protests in Seattle, a dispersed and diverse global movement has better understood itself in the mirror of Starhawk's writings. Her essays consistently, and miraculously, combine how-to practicality with poetry and inspiration. She presents the best face of social justice and dares us to live up to it.»
Naomi Klein, autora do livro No Logo


A escritora norte-americana, eco-feminista, anarquista e activista anti-globalização que se destacou no cerco e boicote à Cimeira da OMC em Seattle há 10 anos atrás, conhecida pelo nome de Starhawk, visita Portugal no mês de Agosto, onde participará na Universidade de Verão da eco-aldeia de Tamera (em Odemira, Alentejo), estando ainda previsto um encontro em Lisboa no próximo dia 7, entre as 18h e as 20h30, no Centro Social do GAIA, à Travessa da Nazaré, na Mouraria, com todas/os as/os interessadas/os em conhecer o seu pensamento, assim como os projectos em que está envolvida e a acção que tem desenvolvido em vários pontos do mundo. O seu último livro, publicado em Junho de 2009, tem sintomaticamente como título The Last Wild Witch, uma vez que a autora é uma das figuras de proa do neo-paganismo contemporâneo que articula espiritualidade, respeito pela terra e um activismo ecológico que passa tanto pelas práticas de permacultura como por acções directas em defesa da natureza-mãe.

Starhawk é, com efeito, reconhecida internacionalmente como uma activista do movimento pacifista (colabora na coligação norte-americana United for Peace and Justice), dos movimentos de mulheres, de defesa do ambiente (é um dos elementos do colectivo responsável pela Earth Activist Training), e da contestação à globalização económica (é autora do texto «How we shut down the WTO» - «Como bloqueamos a cimeira da OMC», em português - e do livro «Percurso de uma altermundialista», em francês). Promove e dirige cursos sobre acção directa e a não-violência, e participa em workshops, conferências e leituras públicas, tanto na América do Norte como na Europa e Médio Oriente.

A cientista belga, Isabelle Stengers, que se tem dedicado a desmistificar e dessacralizar a toda-poderosa ciência moderna, tem divulgado a sua obra e pensamento para o mundo francófono, tendo ambas sido co-autoras de um livro comum com o título «Mulheres, Magia e Política» (Femmes, magie et politique). Por sua vez, Stengers escreveu o livro «A Feitiçaria Capitalista: práticas de desocultamento» (La Sorcellerie Capitaliste: pratiques de desenvoutemente) onde tenta analisar como o capitalismo é um sistema de feitiçaria, e a consequente e imperiosa necessidade de capturarmos e denunciar o seu perigoso feitiço.

Nascida em 1951 no Minnesota, Starhawk reside actualmente em São Francisco, onde ajudou a criar nos anos 70 a comunidade Reclaiming (anteriormente denominada Reclaiming Collective), uma comunidade internacional de mulheres e homens que trabalham para unificar o espiritualismo baseado na natureza e o activismo político, no contexto dos movimentos pacifistas e anti-nucleares, dando pois primazia ao activismo económico, ambiental, político e social. A abordagem espiritual da comunidade Reclaiming baseia-se na força e magia da Deusa que é entendida como a força vital imanente à realidade (daí o seu paganismo), e não como uma divindade transcendental (como postulam as religiões e as doutrinas teológicas). Se bem que muito variada, e não isenta de debates e polémicas internas e externas, as comunidades Reclaiming tem como denominador comum a adoração e defesa activa da Terra, o que explica o apoio que dá às acções directas que indivíduos e comunidades realizam com aquele propósito.

Solidariedade com Honduras: algumas fotos (III)!







Solidariedade com Honduras: algumas fotos (II)!
















Solidariedade com Honduras: algumas fotos (I)!
















... no dia 28 de Julho a Praça do Rossio encheu-se de Afecto e Solidariedade! Cerca de duas centenas de pessoas concentraram-se em frente ao desactivado Consulado das Honduras! A MMM esteve presente, claro, como podem ver pelas fotos!